Olá! Após anos e anos, sempre querendo achar uma forma de registrar por escrito minhas ideias (desde as mais sábias às mais malucas, assim consideradas por alguns ou por todos, não sei), resolvi, finalmente, iniciar este blog. Estarei registrando minhas experiências pessoais, seja como Marcus, ou Vinicius, ou Montanha, ou seja lá como você me conhece! Estarei também postando mensagens, reflexões e devocionais e espero que você seja ricamente abençoado. Fique à vontade para participar da maneira que desejar e também para usar o que for postado, desde que isso abençoe vidas. Seja bem-vindo ao Blog do Montanha!

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

O CONSTRANGIMENTO DO AMOR


Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: se um morreu por todos, todos morreram. E por todos ele morreu, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. (2 Coríntios 5:14-15)



Às vezes, me pego pensando no amor de Cristo. Que amor!! E, quando penso nesse amor, na verdade, como todo ser humano limitado e sujeito a construções culturais de nossa civilização pós-helênica, me pego sem conseguir compreendê-lo, porque minha mente limitada tenta limitá-lo, mas não consegue e, por conseguinte, também não o entende.

De fato, não há como se entender esse amor. Nem mesmo Paulo, com toda a sua fantástica sapiência e intelectualidade conseguia entendê-lo, afirmando, então, que era constrangido por esse amor. E a ideia desta palavra grega é, sim, a de constranger e de conduzir alguém a algo. E assim é o amor de Cristo, afirma Paulo.

Por que, então, este amor nos constrange? Ele explica: porque um morreu por todos, logo todos morreram. Que coisa extraordinária é perceber que apenas UM morreu por TODOS! Esta verdade nos constrange, nos conduz e nos compele a algo. É inevitável ser levado a algum lugar, figurativamente falando, ao observar tal verdade e nela refletir. E que lugar é esse?

Para onde somos constrangidos? Em que direção somos levados? A que direção somos compelidos? Paulo nos diz que Ele, Jesus, morreu por todos para que os que vivem não vivam mais para si mesmos! Desse modo, a finalidade da morte de Cristo é que o homem não viva mais para si mesmo, mas para Cristo! E como isso nos causa um profundo impacto. Como isso nos constrange, ou, deveria constranger!

Sempre que medito nesse texto, me faço a seguinte pergunta: "Será que estou vivendo para Aquele que por mim morreu e ressuscitou?" Ou ainda: "Será que tenho vivido para meus próprios prazeres e vontade e desejos?" E, após nisso refletir, inevitavelmente sou também levado a refletir no mundo cristão em que vivo. Será que todas as pessoas que vemos frequentando igrejas, atuando em ministérios, cantando, pregando e etc estão mesmo vivendo para Cristo ou para seus próprios prazeres?

O amor de Cristo precisa nos constranger de tal forma que todo o resto desvaneça diante dele. Precisamos ser a tal ponto tocados e compelidos por esse amor que nossas vidas sejam transformadas e nosso foco principal seja viver para Cristo, pois Ele por nós morreu e ressuscitou. E, se observarmos bem o contexto do que Paulo escreve, veremos claramente esta ideia. Tanto é que ele culmina com o tão conhecido e citado (mas, infelizmente, pouco vivido) versículo 17: "E assim, se alguém está em Cristo...". Ele mesmo, junto com seus companheiros, afirma que viviam para o Evangelho! Viviam uma vida não mais fundamentada na carne e em seus desejos e convicções! O amor de Cristo os constrangeu a tal ponto que só lhes restava viver por Ele e eram, por isso, embaixadores desse amor e do ministério da reconciliação (2 Co 5:20). 

Por que será, então, que vemos tantos cristãos ocupados com suas carreiras e atividades seculares, já que também são fruto desse amor e desse ministério da reconciliação com Deus? Por que será que vemos tantas decisões importantes e escolhas realizadas simplesmente por causa de desejos e objetivos pessoais? Será que aquilo que deveria apenas ser o MEIO de nosso sustento de vida não tem se tornado nosso FIM de vida? E digo "fim" como finalidade maior, mas também digo "fim" como algo que, de fato, tem arruinado nosso viver. Vemos homens e mulheres cada dia mais estressados e preocupados com contas a pagar, com objetos a comprar e com carreiras profissionais a construir do que pessoas que, apesar de toda e qualquer tribulação, vivem a paz que excede todo entendimento, em paz com Cristo e com Seu povo, dedicados totalmente a Ele e à Sua igreja e ocupados em viver para Aquele que por eles morreu e ressuscitou! 

Cantamos tanto que o amor de Cristo nos constrange! Citamos tanto este versículo! Achamos o texto tão lindo e tocante, mas pouco o vivemos! Isso significa, então, que não devemos, por exemplo, crescer profissionalmente? Claro que não. Eu mesmo tenho procurado fazer isso. Quem me conhece sabe que sou estudante de mestrado e sabe que almejo me tornar professor universitário. Contudo, será que este deve ser meu objetivo maior? Será que esta deve ser minha vida? Não sou integral do ministério da Palavra e nem tenciono ser. Por isso, preciso, sim, trabalhar para conseguir um melhor sustento, assim como todo mundo. Isso, todavia, deve ser apenas um meio para mim, e não o fim! O meu mestrado é apenas algo mais que existe em minha vida, mas NÃO É MINHA VIDA!!!

Como disse no início, às vezes me pego pensando no amor de Cristo e como ele é lindo!! E como ele me constrange! E ele me constrange de tal forma que não consigo mais viver a vida que vivia antes de conhecer ao Senhor. Ele morreu por todos!!!! Ele morreu e ressuscitou por mim! Preciso viver d'Ele, por Ele e para Ele! E, também por isso, me sinto constrangido a compartilhar essa verdade por meio do que escrevo agora. E você, tem se sentido constrangido pelo amor de Cristo?

O Espírito de Deus te convida a ser constrangido por esse amor! Ele te convida a não mais viver por você e por seus desejos desenfreados de crescimento a todo custo, desejos estes culturalmente construídos. Ele te convida a não fazer mais escolhas simplesmente porque você quer e por achar assim melhor. O amor de Cristo te convida a viver por causa d'Ele, que por você morreu e ressuscitou. Você está disposto a isso? Comece agora, então. Não deixe pra amanhã! Que a partir de agora, sua vida seja verdadeiramente transformada pelo constrangimento do amor de Cristo Jesus! As lutas serão enormes, as provações igualmente e em muitas ocasiões seu próprio eu o levará a querer desistir e voltar a viver por seu próprio ego. Entretanto, faço questão de afirmar que tudo isso não se compara à glória que há de ser revelada, pois nada pode nos separar desse amor que nos constrange!

Vamos viver o dia de hoje e toda esta semana como reflexo do constrangimento desse amor? Vamos, de forma prática, fazer novas escolhas, tomar novas decisões, tudo isso fundamentado na Palavra de Deus? Vamos ler a Palavra e nela meditar? Vamos ter um tempo diário de oração? Lembremo-nos sempre que, se não vivemos mais para nós mesmos, as prioridades precisam ser revistas, pois...


"(...) o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: se um morreu por todos, todos morreram. E por todos ele morreu, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou." 

Amém? Que o Senhor nos dê uma semana diferente para Sua glória! Abraços a todos e fiquem na paz!


Em Cristo,
M. Vinicius (Montanha)




segunda-feira, 19 de agosto de 2013

LER, MEDITAR E PRATICAR

Outra semana se iniciou e com ela a necessidade do retorno às atividades rotineiras e muitas vezes tão difíceis a todos nós. Há algo, porém, que pode fazer toda a diferença em nossa semana, bem como em cada dia, especificamente falando, e, por consequência, em toda a vida. 

A Palavra de Deus é capaz de transformar toda uma vida. É a Palavra a grande responsável por nos guiar na caminhada cristã. Ela é a responsável por sermos ou não bem-sucedidos. Ela é o que determina se seremos ou não prósperos (vale lembrar que prosperidade não tem necessariamente relação alguma com riqueza material). Olha o que a própria Escritura nos diz no Livro de Josué, capítulo 1 e versículo 8. Nesse texto, o próprio Deus diz o seguinte a Josué:

"Não deixe de falar as palavras deste Livro da Lei e de meditar nelas de dia e de noite, para que você cumpra fielmente tudo o que nele está escrito. Só então os seus caminhos prosperarão e você será bem-sucedido." (Josué 1:8)


É claro e evidente que há todo um contexto a ser considerado no que diz respeito à situação de Josué. Ele acabara de assumir a liderança do povo de Israel, sucedendo o reverenciado Moisés após sua morte, e, assim como toda a nação, Josué tinha uma aliança com Deus na qual as bênçãos estavam diretamente condicionadas à obediência. Não é isso, porém, que procuro destacar.

O que mais me marca nesse texto é perceber a importância da Lei do Senhor. E é o próprio Deus quem enfatiza sua importância. Além de dizer a Josué que a Palavra deve estar sempre em seu falar (é preciso lembrar que, na época de Josué, não havia Bíblia em várias versões e/ou em tablets, celulares, etc; era hábito comum o ler em voz alta, o falar a Lei para si e para o povo, que não tinha esse acesso portátil aos mandamentos escritos do Senhor), o Senhor o exorta a meditar na Escritura dia e noite. Mas, infelizmente, nós ocidentais não cultivamos muito o hábito de meditar em algo.

Ao falar de meditação, não me refiro, evidentemente, a ritos de yoga, mantras e coisas do tipo, mas ao hábito de refletir sobre algo que lemos (isso quando lemos). Enquanto servos do Senhor precisamos ouvir à sua ordem, que não está restrita apenas a Josué, conforme podemos ver em diversas outras passagens da Bíblia (e.g. João 8:31). Precisamos estar constantemente meditando na Palavra, mas, para que isso aconteça, precisamos cultivar também o hábito de lê-la. E, ao ler e meditar na Palavra, teremos como consequência única agir de acordo com o que ela ensina. E esta era a ideia de Deus, conforme podemos ver no texto falado a Josué: "para que..."; a finalidade de ler e meditar na Bíblia é, sem dúvida, praticá-la.

Portanto, desafio você a, nesta semana, ou melhor, a partir desta semana, criar este hábito mais que saudável de ler a Palavra de Deus. E, ao lê-la, procure nela meditar. Reflita sobre o que foi lido e sobre como aquilo pode influenciar seu modo de agir em suas atividades cotidianas. Se você teve tempo de ler esta reflexão, isso significa que você também tem tempo para a Palavra de Deus. E, se precisar escolher entre um ou outro, sempre prefira ler a Palavra. Não troque a Palavra por coisa alguma, mesmo que reflexões e/ou devocionais de pastores e líderes eclesiásticos. Deus tem algo muito melhor para você: Sua própria Palavra! Se precisar ficar sem sequer entrar neste blog, fique, mas não se utiliza de escusos para não ler e meditar na Palavra de Deus. Mas, como estes posts são semanais, acredito que é, sim, possível fazer as duas coisas, não?

Desejo, então, uma ótima semana a todos. Que Deus, o Deus de Josué, possa repetir profundamente em Seu coração as mesmas palavras ditas a Josué. Que elas te invadam de tal maneira que sua vida seja transformada. Vamos ler a Escritura, vamos dela falar, vamos nela meditar e vamos por ela agir. Que o Senhor, por meio de Jesus Cristo, Palavra Viva que se fez carne, possa nos ajudar a estar sempre apegados à Sua Palavra. A Ele a glória!



Em Cristo,
M. Vinicius (Montanha)

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O EVANGELHO DA HUMILDADE E DO ARREPENDIMENTO

Graça e paz a todos!

Sempre que leio os Evangelhos, fico impactado com as enormes lições que aprendo e com as coisas extraordinárias que consigo ver. Recentemente, pude reler o Evangelho de Marcos e, já em seu início, percebo lições que podem nos ensinar bastante.


Após ler a passagem de Marcos 1:1-15, vejo claramente que o autor apresenta a seus leitores a mensagem inicial do Evangelho. Marcos mostra a seus leitores como tudo começou. Esta era a sua intenção, o que pode claramente ser visto já no primeiro versículo.

Vale lembrar que, segundo os historiadores, Marcos foi o primeiro a escrever um evangelho. Depois dele, Mateus, Lucas e João se propuseram também a isso. E Marcos o fez por perceber a necessidade de que se apresentasse o Filho de Deus a seus leitores. As primeiras testemunhas, que haviam visto o Mestre e andado com ele, estavam morrendo, mas o testemunho jamais poderia morrer. E, assim, ele resolve escrever sobre isso.

Na passagem citada, vemos Marcos tratar sobre o início de tudo. De forma rápida e direta ele nos mostra, sim, como tudo começou. E, a partir disso, podemos enxergar algo que muito nos ensina. O Evangelho, desde seu início, evidenciava em sua mensagem algo de extrema relevância para nós. Ele evidenciava duas características que gostaria de destacar.

1 – O EVANGELHO TRAZIA UMA MENSAGEM DE HUMILDADE

Ao olhar para o versículo 7, percebemos que João demonstrava humildade. Sim. De fato, João Batista tem sido comumente apresentado em estudos bíblicos e sermões como alguém que foi exemplo nesse quesito. Mas o texto não para por aí. No versículo 9, ainda no capítulo 1, vemos que Jesus demonstrou humildade. O Grande Mestre é, sem dúvida, o maior exemplo de humildade que a humanidade já teve (e terá).
Podemos perceber que Marcos se ocupa em demonstrar o valor da humildade como presente no Evangelho desde seu início. E isso deve nos fazer refletir um bocado sobre o que se tem visto por aí.
A verdade é que o Evangelho da humildade precisa ser conhecido e lembrado por nós. Precisamos voltar aos primórdios de nossa fé, percebendo o quanto a humildade se fazia presente desde o início de tudo. Onde, então, ela se perdeu? Ou, melhor: onde nós a perdemos? Na verdade, onde nós a deixamos? Os nossos púlpitos precisam ser mais humildes, os nossos líderes, por conseguinte, devem fazer o mesmo e nossas ações diárias precisam refletir totalmente o valor da humildade. Isso, porém, será completamente oposto ao que se vê ao nosso redor, já que vivemos numa sociedade extremamente progressista, na qual humildade significa fraqueza ou uma mera utopia ultrapassada e distante e todos desejam superar uns aos outros. Não vejo isso nas Escrituras, mas vejo isso nas igrejas, já que a competitividade entre elas e seus líderes e ministros tem crescido cada dia mais. Às vezes, na mesma comunidade, ministros competem entre si sobre quem seria mais importante ou sobre quem é o melhor. Repito, não vejo isso na Escritura e, principalmente, no ministério de Jesus.

2 – A MENSAGEM DE ARREPENDIMENTO

Assim como podemos ver ainda no ministério de João (v. 4), a mensagem de Jesus em Seu ministério, expunha a necessidade de arrependimento. Basta olhar para o versículo 15 para enxergar o que digo. O Reino de Deus evidencia a real necessidade de arrependimento, ou seja, a necessidade de mudança de direção. Assim como alguém que guia seu carro numa direção contrária à que deve, de fato chegar, e, por isso, procura um retorno, o arrependimento precisa ser esta mudança completa de direções erradas em nossas vidas. Há um ponto de retorno que precisa ser encontrado e no qual se deve entrar.
O fato, porém, é que o Evangelho do arrependimento precisa voltar a habitar os nossos púlpitos. Não se fala mais de pecado. Justifica-se práticas que não agradam ao Senhor com as mais diferentes teorias. Contudo, a mensagem de arrependimento precisa voltar a ser pregada (e vivida) por todos os cristãos. O evangelho ralo, raso e espúrio precisa ser abandonado, dando lugar ao Evangelho da Graça do Senhor, que nos conduz, inevitavelmente, ao arrependimento. Sem arrependimento, não há Evangelho! E muitas são as vezes em que pecamos contra o Senhor e/ou contra outros, mas não nos arrependemos e muito menos pedimos perdão.

CONCLUSÃO

Assim como os leitores de Marcos, nós não fomos testemunhas oculares de tudo o que aconteceu. Nós não vimos como tudo começou e nem estamos mais diante de pessoas que testemunharam tudo em primeira mão. Mas, ainda assim, os primórdios do Evangelho também precisam ser lembrados a nós e por nós. E, ao olhar para como tudo começou, veremos que, desde seu início, o Evangelho continha a mensagem de humildade e de arrependimento. De fato, sem a humildade o arrependimento não acontece. E assim, porque a humildade não tem estado presente em muitos púlpitos, a mensagem de arrependimento tem sido deixada de lado. E, por não serem pregados, a humildade e o arrependimento têm sido constantemente negligenciados pelos atuais evangélicos (uso o termo para fazer menção proposital ao Evangelho, mas não gosto da conotação atualmente adquirida).

Marcos apresentou a seus leitores a mensagem inicial do Evangelho: o Evangelho de humildade e de arrependimento. E, mesmo não sendo o público original de Marcos, como leitores, nós também tivemos acesso a esta mensagem. Vamos, então, colocá-la em prática, lembrando que, desde seu início, o Evangelho trazia como pilares inegociáveis e indispensáveis a humildade e o arrependimento.

Portanto, vamos viver melhor as nossas semanas, começando por esta que já se iniciou. Vamos ser humildes em nossas relações interpessoais não apenas na igreja, mas no trabalho, na faculdade, na escola, na família. E, ao praticar a humildade, vamos, sim, nos arrepender quando necessário. Todos nós cometemos erros e carecemos de arrependimento vez por outra. Vamos, então, deixar que a humildade e o arrependimento possam, juntos, nos guiar a uma melhor prática evangélica (mais uma vez, uso algum cognato do termo). E, principalmente, após praticar estes valores do Evangelho genuíno, vamos, enfim, apregoar esta mensagem. Que não venhamos a nos envergonhar das mensagens de humildade e arrependimento presentes no Evangelho. Vamos vivê-las e, então, compartilhá-las com este mundo que anda em direção completamente contrária a tudo isso. E que o Senhor, o Todo-Poderoso, nos ajude nessa difícil tarefa. Que ele nos dê uma semana de humildade e arrependimento.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

PRIMEIROS SERÃO ÚLTIMOS E ÚLTIMOS SERÃO PRIMEIROS!



No Livro de Marcos, capítulo 10, versículos 17 a 31, a Bíblia nos conta a história de um jovem. Este jovem vai ao encontro do Senhor Jesus e, a partir deste encontro, grandes ensinamentos podem ser extraídos. Não sabemos o nome desse jovem, nem de onde veio. Sabemos apenas que ela rico. Ele era muito rico. Vamos ao texto:



17 Quando Jesus ia saindo, um homem correu em sua direção e se pôs de joelhos diante dele e lhe perguntou: “Bom mestre, que farei para herdar a vida eterna?”
18 Respondeu-lhe Jesus: Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um, que é Deus.
19 Você conhece os mandamentos: “Não matarás, não adulterarás, não furtarás, não darás falso testemunho, não enganarás ninguém, honra teu pai e tua mãe”.
20 E ele declarou: “Mestre, a tudo isso tenho obedecido desde a minha adolescência”.
21 Jesus olhou para ele e o amou. “Falta-lhe uma coisa”, disse ele. “Vá, venda tudo o que você possui e dê o dinheiro aos pobres, e você terá um tesouro no céu. Depois, venha e siga-me.”
22 Diante disso ele ficou abatido e afastou-se triste, porque tinha muitas riquezas.
23 Jesus olhou ao redor e disse aos seus discípulos: “Como é difícil aos ricos entrar no Reino de Deus!”
24 Os discípulos ficaram admirados com essas palavras. Mas Jesus repetiu: Filhos, como é difícil entrar no Reino de Deus!
25 É mais fácil passar um camelo pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino de Deus.
26 Os discípulos ficaram perplexos, e perguntavam uns aos outros: “Neste caso, quem pode ser salvo?”
27 Jesus olhou para eles e respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus não; todas as coisas são possíveis para Deus”.
28 Então Pedro começou a dizer-lhe: “Nós deixamos tudo para seguir-te”.
29 Respondeu Jesus: Digo-lhes a verdade: Ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos, ou campos, por causa de mim e do evangelho,
30 deixará de receber cem vezes mais, já no tempo presente, casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, e com eles perseguição; e, na era futura, a vida eterna.
31 Contudo, muitos primeiros serão últimos, e os últimos serão primeiros.




Acho muito interessante Jesus ter dito o que disse ao jovem. Por que ele não poderia ser salvo com toda a sua riqueza? Será que esta era a verdadeira questão? Será que o problema não era o grande apego do jovem a seus bens e, por isso, Jesus, conhecendo-lhe o coração o disse? De fato, aquele jovem nos mostra claramente o quão apegado ele era a seus bens.

É também interessante perceber que Jesus afirma ser muito difícil entrar um rico no Reino de Deus. Sabemos, porém, pelo que dizem as demais Escrituras, que o Senhor não faz acepção ou distinção de pessoas e não seria diferente com aqueles que possuem riquezas. E, por que isso, então? Ele usa até uma grande hipérbole quanto à salvação dos ricos, mas o que se deve notar é que ele nunca disse que seria impossível que um rico fosse salvo, mas que era muito difícil; para Deus, contudo, não há impossíveis. Aleluia! 

Pouco depois, apenas com os discípulos Jesus diz algo muito lindo. Pedro, espevitado e inquieto que era, como sempre, quebra o silêncio e questiona o Mestre sobre a situação deles, já que o prórpio Pedro e os demais discípulos haviam deixado tudo para seguir a Jesus. Jesus, então, os consola, afirmando que todo aquele que tivesse renunciado a tudo e todos por amor do Evangelho receberia muito mais ainda neste mundo, mas com perseguição e, no futuro, desfrutaria da vida eterna! Que coisa linda! De fato, aqueles que vivem genuinamente o Evangelho ganham uma enorme família, espalhada por todo o mundo. E, se vivermos um Evangelho como o descrito no Livro de Atos, todos os bens serão de todos e para todos, de modo que viveremos como uma família que tem "tudo em comum" (At 2:42-47). Que consolo, queridos! Viver na família de Deus é muito melhor do que simplesmente desfrutar das riquezas deste mundo. Se deixamos parentes, amigos ou bens por causa do Evangelho, há alo muito melhor para nós! Aleluia! Só não vamos esquecer a parte que diz "com perseguição". hehe

O que, contudo, destaco são as últimas palavras de Jesus. Ele afirma que, para que isso aconteça, para que um rico, por exemplo,  ou quem quer que seja, desfrute desta salvação presente e vindoura, muitos últimos devem ser primeiros e primeiros devem ser últimos. Que coisa!!!

Vejo, neste capítulo, grande predominância da humildade como valor que deve ser abraçado pelos crentes. Até mesmo ao predizer Sua morte e ao falar de Bartimeu, o Mestre deixa claro o valor da humildade. Por todo o capítulo 10 de Marcos, vemos o Mestre ensinando o valor da humildade nas ações e nas posses. E isto é algo que pode ser visto ao longo de todo o ministério do Senhor. Jesus está sempre ensinando aos discípulos que o apego às riquezas e às coisas desta vida não condiz com o comportamento de um verdadeiro servo de Deus. Ele diz ainda que é dos simples o Reino dos céus. Mas, como isso pode se aplicar a nós?

Temos vivido numa sociedade cada vez mais materialista e cujo desejo maior é atingir o crescimento próprio. Parece-me que Mamom, o antigo deus da riqueza, de antigo nada tem. A sociedade tem disfarçado a idolatria que nutre pelas riquezas e pelo poder com uma fachada comumente defendida por palavras como: "Todo mundo tem direito de viver bem." "Não é porque sou cristão que preciso viver em miséria"."Ah, ninguém quer passar aperto!". Há ainda os que afirmam: "É da vontade de Deus que tenhamos mais e mais em abundância". Contudo, não vejo exatamente isso nas Escrituras.

É claro e evidente que Deus não quer ninguém vivendo em miséria ou passando por necessidades. Ele quer o melhor para nós! Mas Ele também quer o melhor de nós! Ele quer a primazia! Ele quer que aquelas coisas que comumente deixamos por último se tornem primeiras e aquelas que têm sido prioridade absoluta para nós fiquem por último. O texto grego fala, literalmente, os primeiros (uma outra tradução poderia dizer "as primeiras coisas") serão últimos e os últimos (bem que poderia ser traduzido "as últimas coisas") serão primeiros. Em outras palavras, o que é primeiro será último e o que é último será primeiro. Pergunto: como temos respondido a esse desejo do Senhor?

A despeito das mais diferentes interpretações que existem sobre "primeiros serão últimos e últimos serão primeiros", Jesus não estava falando de lugares na fila. hehe Quem nunca ouviu as diversas piadas que são feitas a partir desse texto? Jesus, porém, falava muito sério.

O que era prioridade para aquele jovem: o Reino ou seus bens? O que tem sido prioridade para os cristãos de hoje: o Evangelho ou seus bens? Talvez até pensemos que não, porque as riquezas de hoje não se veem em moedas de ouro e outros metais preciosos. A dura verdade, porém, é que muitos que integram as igrejas têm tido enorme apego por seus empregos, carreiras e profissões e carros e aparelhos de última tecnologia com a velha desculpa da busca pelo conforto. Eu confesso que é, sim, muito melhor, humanamente falando, repousar nos braços do conforto trazido pelas conquistas terrenas. Mas, quanto mais eu leio a Sagrada Escritura, vejo em suas páginas um Jesus (melhor: O JESUS) que abriu mão de todo o Seu conforto apenas para viver aquilo para o qual fora chamado. O que, possivelmente, seria primeiro para qualquer outro homem, para Ele, porém, ficou em último lugar. O Reino era Sua prioridade.

Sei muito bem que falar do Evangelho integral e simples, afirmado, pregado e defendido pela Escritura, é tarefa considerada como ultrapassada e até insana! Todavia, reitero que o Senhor nos diz que primeiros devem ser últimos e últimos devem ser primeiros. As nossas conquistas terrenas, aquilo que consideramos riqueza, jamais deve ter a primazia. De modo que o desafio de Deus para nós é viver na contramão deste mundo extremamente materialista e idólatra, adorador de Mamom. Isso porque, quando o Senhor vier, Ele nos mostrará claramente que "primeiros serão últimos e últimos serão primeiros".

Mais uma semana se inicia e queria convidar você para, junto comigo, tentar viver uma semana na qual o que seria prioridade se torne nosso último valor e aquilo que comumente esquecemos possa ser lembrado.: sejam pessoas, bens, desejos, etc. Convido você a viver uma semana na qual os primeiros serão últimos e os últimos serão primeiros! Que Deus nos ajude nesta difícil tarefa e que sigamos o exemplo do Mestre, crendo que já recebemos e receberemos algo muito melhor! Ao Senhor a glória!

Reflita, junto comigo, na letra desta canção e que Deus te abençoe!



Em Cristo,
M. Vinicius (Montanha)