Pois o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: se um morreu por todos, todos morreram. E por todos ele morreu, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou. (2 Coríntios 5:14-15)
Às vezes, me pego pensando no amor de Cristo. Que amor!! E, quando penso nesse amor, na verdade, como todo ser humano limitado e sujeito a construções culturais de nossa civilização pós-helênica, me pego sem conseguir compreendê-lo, porque minha mente limitada tenta limitá-lo, mas não consegue e, por conseguinte, também não o entende.
De fato, não há como se entender esse amor. Nem mesmo Paulo, com toda a sua fantástica sapiência e intelectualidade conseguia entendê-lo, afirmando, então, que era constrangido por esse amor. E a ideia desta palavra grega é, sim, a de constranger e de conduzir alguém a algo. E assim é o amor de Cristo, afirma Paulo.
Por que, então, este amor nos constrange? Ele explica: porque um morreu por todos, logo todos morreram. Que coisa extraordinária é perceber que apenas UM morreu por TODOS! Esta verdade nos constrange, nos conduz e nos compele a algo. É inevitável ser levado a algum lugar, figurativamente falando, ao observar tal verdade e nela refletir. E que lugar é esse?
Para onde somos constrangidos? Em que direção somos levados? A que direção somos compelidos? Paulo nos diz que Ele, Jesus, morreu por todos para que os que vivem não vivam mais para si mesmos! Desse modo, a finalidade da morte de Cristo é que o homem não viva mais para si mesmo, mas para Cristo! E como isso nos causa um profundo impacto. Como isso nos constrange, ou, deveria constranger!
Sempre que medito nesse texto, me faço a seguinte pergunta: "Será que estou vivendo para Aquele que por mim morreu e ressuscitou?" Ou ainda: "Será que tenho vivido para meus próprios prazeres e vontade e desejos?" E, após nisso refletir, inevitavelmente sou também levado a refletir no mundo cristão em que vivo. Será que todas as pessoas que vemos frequentando igrejas, atuando em ministérios, cantando, pregando e etc estão mesmo vivendo para Cristo ou para seus próprios prazeres?
O amor de Cristo precisa nos constranger de tal forma que todo o resto desvaneça diante dele. Precisamos ser a tal ponto tocados e compelidos por esse amor que nossas vidas sejam transformadas e nosso foco principal seja viver para Cristo, pois Ele por nós morreu e ressuscitou. E, se observarmos bem o contexto do que Paulo escreve, veremos claramente esta ideia. Tanto é que ele culmina com o tão conhecido e citado (mas, infelizmente, pouco vivido) versículo 17: "E assim, se alguém está em Cristo...". Ele mesmo, junto com seus companheiros, afirma que viviam para o Evangelho! Viviam uma vida não mais fundamentada na carne e em seus desejos e convicções! O amor de Cristo os constrangeu a tal ponto que só lhes restava viver por Ele e eram, por isso, embaixadores desse amor e do ministério da reconciliação (2 Co 5:20).
Por que será, então, que vemos tantos cristãos ocupados com suas carreiras e atividades seculares, já que também são fruto desse amor e desse ministério da reconciliação com Deus? Por que será que vemos tantas decisões importantes e escolhas realizadas simplesmente por causa de desejos e objetivos pessoais? Será que aquilo que deveria apenas ser o MEIO de nosso sustento de vida não tem se tornado nosso FIM de vida? E digo "fim" como finalidade maior, mas também digo "fim" como algo que, de fato, tem arruinado nosso viver. Vemos homens e mulheres cada dia mais estressados e preocupados com contas a pagar, com objetos a comprar e com carreiras profissionais a construir do que pessoas que, apesar de toda e qualquer tribulação, vivem a paz que excede todo entendimento, em paz com Cristo e com Seu povo, dedicados totalmente a Ele e à Sua igreja e ocupados em viver para Aquele que por eles morreu e ressuscitou!
Cantamos tanto que o amor de Cristo nos constrange! Citamos tanto este versículo! Achamos o texto tão lindo e tocante, mas pouco o vivemos! Isso significa, então, que não devemos, por exemplo, crescer profissionalmente? Claro que não. Eu mesmo tenho procurado fazer isso. Quem me conhece sabe que sou estudante de mestrado e sabe que almejo me tornar professor universitário. Contudo, será que este deve ser meu objetivo maior? Será que esta deve ser minha vida? Não sou integral do ministério da Palavra e nem tenciono ser. Por isso, preciso, sim, trabalhar para conseguir um melhor sustento, assim como todo mundo. Isso, todavia, deve ser apenas um meio para mim, e não o fim! O meu mestrado é apenas algo mais que existe em minha vida, mas NÃO É MINHA VIDA!!!
Como disse no início, às vezes me pego pensando no amor de Cristo e como ele é lindo!! E como ele me constrange! E ele me constrange de tal forma que não consigo mais viver a vida que vivia antes de conhecer ao Senhor. Ele morreu por todos!!!! Ele morreu e ressuscitou por mim! Preciso viver d'Ele, por Ele e para Ele! E, também por isso, me sinto constrangido a compartilhar essa verdade por meio do que escrevo agora. E você, tem se sentido constrangido pelo amor de Cristo?
O Espírito de Deus te convida a ser constrangido por esse amor! Ele te convida a não mais viver por você e por seus desejos desenfreados de crescimento a todo custo, desejos estes culturalmente construídos. Ele te convida a não fazer mais escolhas simplesmente porque você quer e por achar assim melhor. O amor de Cristo te convida a viver por causa d'Ele, que por você morreu e ressuscitou. Você está disposto a isso? Comece agora, então. Não deixe pra amanhã! Que a partir de agora, sua vida seja verdadeiramente transformada pelo constrangimento do amor de Cristo Jesus! As lutas serão enormes, as provações igualmente e em muitas ocasiões seu próprio eu o levará a querer desistir e voltar a viver por seu próprio ego. Entretanto, faço questão de afirmar que tudo isso não se compara à glória que há de ser revelada, pois nada pode nos separar desse amor que nos constrange!
Vamos viver o dia de hoje e toda esta semana como reflexo do constrangimento desse amor? Vamos, de forma prática, fazer novas escolhas, tomar novas decisões, tudo isso fundamentado na Palavra de Deus? Vamos ler a Palavra e nela meditar? Vamos ter um tempo diário de oração? Lembremo-nos sempre que, se não vivemos mais para nós mesmos, as prioridades precisam ser revistas, pois...
"(...) o amor de Cristo nos constrange, julgando nós isto: se um morreu por todos, todos morreram. E por todos ele morreu, para que os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou."
Amém? Que o Senhor nos dê uma semana diferente para Sua glória! Abraços a todos e fiquem na paz!
Em Cristo,
M. Vinicius (Montanha)
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